Estudando...

Que uma coisa puxa a outra todos nós sabemos. Aqui em Contos Animados não é diferente. Durante um bate-papo no twitter com um professor de matemática, resolvi estudar a fundo uma questão de Alice no país das Maravilhas - post anterior (já estou lendo a tradução do texto de Lewis Carroll).
Meu colega de profissão tem uma visão Matemática da história e divulgou que trabalhará o filme em suas aulas. Achei interessante! Eu pensei em ler mais sobre textos adaptados para crianças. Fazendo uma pesquisa na internet encontrei um artigo de Diógenes Buenos Aires de Carvalho (PUC RS): A adaptação literária para crianças e jovens no Brasil: um cânone em formação.
Texto simples de ler e com fontes confiáveis. Conheço a bibliografia citada. Sigo estudando mas acredito que algumas informações a respeito do assunto são interessantes e o blog se presta a esse tipo de serviço também. 
A adaptação literária constitui textualmente uma forma de leitura de uma determinada obra, garantindo-lhe uma permanência no horizonte dos leitores atuais. Logo o conjunto de obras literárias adaptadas para a infância e a juventude constitui-se como um cânone, o de  obras adaptadas.   
(...) 
A Narrativa Oral não estabelece,  a priori, um perfil de leitor, valendo tanto para adulto como
para a criança, a forma e o conteúdo apresentados, ou seja, o caráter mítico ou folclórico garante a compreensão a todos os ouvintes/leitores.
Para quem deseja saber mais a respeito desse assunto vale a pena a leitura do texto completo ou a leitura de algum dos livros citados na bibliografia com destaque para História social da criança e da família. Este eu também tenho e estou relendo.
Quanto as adaptações, elas desempenham um importante papel em nossa sociedade. Muitos só conhecem os grandes clássicos por meio de boas adaptações. Bons escritores produzem bons textos adaptados. Bons cineastas levam grandes obras da Literatura a um número maior de pessoas sob a ótica cinematográfica. Na Era da Informação, esses textos garantem seu lugar ao sol.



O próximo post deve ser um clássico. Questão de honra! Enquanto ele não vem... continuem votando na enquete!

Alice no País das Maravilhas

Final de semana chuvoso pede filme com pipoca. Minha sugestão é um clássico com um toque de contemporaneidade: Alice no País das Maravilhas. A versão de Tim Burton (cineasta americano) é escura com um tom sombrio, mas fascinante!
Lembro-me que quando criança tinha um livro da Alice. Capa dura, grande e com uma linda ilustração. Minha mãe era sócia do Círculo do Livro. Li e e reli essa versão infantil durante minha infância. Lembro de chegar a sentir as emoções de Alice. Quem não gostaria de comer o bolinho da Alice em alguns momentos da vida?
O filme não é exatamente meu sonho de menina, mas é uma produção de altíssima qualidade, cheia de efeitos especiais e boas recordações. Eu gostei! Pra quem não viu em 3D, vale a pena ver agora.

História do boi leitão ou do vaqueiro que não mentia

Um dos posts mais visualizados deste blog foi o de Literatura de Cordel. Então resolvi estendê-lo postando A HISTÓRIA DO BOI LEITÃO OU O VAQUEIRO QUE NÃO MENTIA. Versos bons, de agradável leitura de Francisco Firmino de Paula que nasceu na Paraíba e faleceu em Recife ainda na década de 60.
É uma história de amor que transmite bons valores como a honestidade. Vale a pena ler.


Vou colocar algumas estrofes.

HISTÓRIA DO BOI LEITÃO OU O VAQUEIRO QUE NÃO MENTIA

Numa cidade distante
há muito tempo existiu
um distinto fazendeiro
o mais rico que se viu
e tinha um jovem vaqueiro
homem que nunca mentiu.

Também esse fazendeiro
muitas lojas possuía
tinha muitos empregados
porém ele garantia
que só aquele vaqueiro
era sério e não mentia

Seus amigos em palestras
exclamavam admirados
porque é que entre tantos
homens nobres empregados
somente um rude vaqueiro
é quem não causa cuidado?

Respondia o fazendeiro:
tudo é nobre e decente
porém capaz de mentir
digo conscientemente
mas Dorgival meu vaqueiro
por forma nenhuma mente.

(...)

Juntaram-se 10 amigos
e mandaram o fazendeiro
inventar uma cilada
pra Dorgival o vaqueiro
cair na falta, pra verem
se ele era verdadeiro.

(...)

Concordaram e a aposta
fecharam rapidamente
dizendo: esperaremos
o dia conveniente
e provaremos doutor
que o seu vaqueiro mente.

(...)

O doutor chamou a filha
disse: vá com a criada
amanhã logo cedinho
na fazenda da jangada
do vaqueiro Dorgival
se faça de namorada.

(...)

Esta é uma colaboração da professora Nadir (professora de educação física da E. M. Tia Ciata) amante da Literatura e do Cinema, que cedeu gentilmente o livro de Sebastião Nunes Batista - Antologia da Literatura de Cordel.

O Rei Preto de Ouro Preto

Maio é um mês de muitas comemorações. Uma delas acontece no dia 13. É o Dia da Abolição da Escravatura no Brasil. Na verdade, até hoje estamos tentando concretizar este feito. Ora tentamos fingir que não há marcas, ora tentamos nos ressarcir criando cotas ou outras medidas. Bom mesmo é valorizar nossa cultura.  E bonito é a maneira literária de fazer isso.
Sylvia Orthoff em seu O Rei Preto de Ouro Preto faz uso de lirismo e musicalidade e o eu lírico descreve encantadoramente o descomprometimento de todo poeta com a verdade dos fatos.

"Lembro e esqueço
e assim começo
a história de um rei...
Invento o que não sei?
(...)
Ali morava um rei
todo negro e enfeitado.
Sua pele era um negrume
da noite do estrelado.
Era preto de lindeza,
era sábio em realeza,
com certeza.
(...)
Viva Francisco, o Chico
rei de minas, do tesouro,
das liberdades totais!

Quanta dança e folia,
baticum e alegria!

Quantos anjos e noitadas,
belezuras muito puras...
e escuras!

O resto nem sei contar.
Eu sou um anjo barroco,
fugi ali do altar...
Inventei um bocadinho,
sonhei de me lambuzar,
pois sou o anjo inventado
que fugiu do seu lugar..."
(...)

 Vale a pena conferir até que ponto o poema tem algum compromisso histórico. Deixei a História/história de Chico Rei contida no poema para que vocês leiam no próprio livro. Agora imaginem que luxo uma montagem teatral de O Rei Preto de Ouro Preto... Adoraria receber um convite!
 

Rádio Maluca



O fim de semana está chegando e algumas pessoas já estão se programando. Que bom! Pois eu tenho mais uma dica cultural. Você pode até estar sem grana, mas com certeza não dispensa qualidade. Então que tal um programa gratuito e de qualidade? Claro que eu estou falando da Rádio Maluca, um programa que você vê pelo rádio.
A Rádio Maluca traz o rádio às novas gerações e recupera a tradição dos programas de auditório. É ao vivo, com participação da platéia e dos ouvintes. Com cenário teatral e figurinos maluquinhos, a Rádio Maluca capricha na sonoplastia e na trilha sonora exercitando a imaginação do pequeno ouvinte. É por isso que seu apresentador diz que "Rádio Maluca é um programa que você vê pelo rádio".
Quem não puder ir, é só sintonizar Nacional-AM 1130khz ou Rádio MEC-AM 800khz (Rádio MEC) que transmite simultaneamente. Tem ainda a opção de ouvir pela Internet: www.ebc.gov.br ou www.mec.com.br. O programa vai ao ar todos os sábados, das 11h às 12h.
Tapetes contadores de história será atração novamente no programa. Quem não gosta de ouvir uma boa história bem contada?
O apresentador dispensa apresentações: Zé Zuca!!! Ele é cantor, compositor, autor, ator e diretor teatral, Pedagogo, Arte-educador, Psicodramatista, Radialista e Diretor da ZZ Produções.Ufa!!! É um homem multimídia! Quem quiser saber mais sobre A Rádio Maluca é só clicar no link: http://rmaluca.blogspot.com



Espaço Literatura Infantil



Pensando na organização de espaços voltados para Literatura Infantojuvenil, mais especificamente Livrarias, sempre encontramos cores, formas variadas, materiais variados e até brinquedos. Tudo é adaptado para receber as crianças. Embora muitas vezes tenha encontrado espaços pouco privilegiados e de acesso complicado como estantes muito baixas.
No entanto, existe algo que torna difícil uma pesquisa nestes espaços: a ausência de Classificação Literária. Sim! Devemos fazer pesquisa em livrarias, garimpar. E este não deve ser um privilégio dos adultos. Desde cedo as crianças vão percebendo que tipo de texto literário elas preferem e quanta descoberta boa elas serão capazes de fazer com cada vez mais autonomia. É uma questão de hábito.
Por isso, resolvi desenvolver esta enquete para crianças e adultos. Se você é adulto, responda que tipo de texto você mais gostava quando criança.
Por meio dela, vou descobrir também as preferências dos meus leitores.

Os Contos de Beedle, o Bardo

O post de hoje é sugestão da Sandra Maya, nossa professora de música apaixonada pelos ingleses. Como ela ama tudo que vem da Península Gelada, Harry Potter não poderia ficar de fora. Não posso ainda fazer uma análise crítica das aventuras do bruxo mais amado do mundo, pelo simples fato de que ainda não li nenhum exemplar, apesar de sempre ouvir boas críticas a respeito.
Mas posso elogiar o texto de um livro de contos da mesma autora de Potter, que na verdade, tem análise crítica de "Dumbledore - diretor de Hogwarts", chique não?
O que eu percebi foi: J.K.Rowling é conhecedora de Literatura Oral e conseguiu criar contos seguindo a mesma tradição adequando-os aos bruxos. Para quem gosta desse Universo da Magia e tem curiosidade sobre as histórias que os bruxinhos ouvem antes de dormir, vale a pena conferir "Os Contos de Beedle, o Bardo". As histórias datam do mesmo período em que nossas histórias, herdadas da cultura oral, foram registradas por Charles Perrault. Na introdução, inclusive, a autora faz referência aos Contos Maravilhosos.
Nas análises de Dumbledore ficam claras também a influência dos costumes de cada época e a interferência cultural ocorrida nestas histórias assim como ocorreu com as nossas.
Quem leu o post sobre Chapeuzinho Vermelho deste blog teve uma noção de como nossos contos foram alterados com a ascensão da burguesia. Quem não leu o post, é só voltar um pouquinho. Aproveitem a sugestão e divirtam-se com esta dica maravilhosa, enquanto eu irei em busca de mais uma sugestão gostosa para embalar nossos finas de semana chuvosos.
Quem quiser dar uma sugestão ou dica interessante, envie no comentário. Prometo pesquisar! Nos próximos posts também teremos participações especiais, aguardem!

Eros e Psique


Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino -
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão,e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A princesa que dormia.

Fernando Pessoa... ainda dá tempo!



Ontem fui a exposição "FERNANDO PESSOA, PLURAL COMO O UNIVERSO" no Centro Cultural dos Correios do Rio de Janeiro e percebi que apesar de ser um dos maiores poetas do século passado, sua pluralidade o torna contemporâneo e mais: um cidadão do mundo todo! Seus heterônimos nos permitem a identificação inevitável, é como se um deles tivesse nascido para nos agradar. Meu preferido é Alberto Caeiro com seu Guardador de Rebanhos:
Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.
E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.
Simplesmente o ofício de poeta exercita o desapego. E nós leitores podemos seguir lendo esta verdadeira obra de arte. Para quem não conhece a obra do poeta português, vale a pena sentar e ler os livros expostos, ou mesmo em pé virar as páginas de um imenso livro projetado na mesa. Recursos da tecnologia que só contribuem para aumentar ainda mais o encanto da obra.
Saí de lá com vontade de levar Fernando Pessoa para casa e consegui levar algo dele. Um livro para crianças com poemas que ele escreveu para sua sobrinha Manuela. No próximo post escolherei um dos poemas para dar um gostinho.
Ah! Quem quiser visitar a exposição, ainda dá tempo. Ela ficará até o dia 22 de maio!

Literatura de Cordel


Como todos devem saber, as imagens da abertura da novela das seis são inspiradas em xilogravuras do Cordel:
Há que junto com o cordel
sempre tem uma figura,
o que danada é essa imagem
chamada xilogravura?
Produção típica do Nordeste do Brasil, o Cordel é uma ótima sugestão para estimular a garotada a produzir textos. A xilogravura é uma técnica barata e interessante para a ilustração. O resultado deve ficar exposto num varal como este da imagem acima, afinal esta é a origem da Literatura de Cordel.
Autores de Cordel costumam ser bem acessíveis para dar palestras e se apresentarem. Vale a pena um evento com um convidado especial.
Vocês sabiam que nós temos, aqui no Rio de Janeiro, a Academia Brasileira do Cordel? Vale a pena uma visita!

A maior flor do mundo

Vou começar de onde a animação parou:
Se eu tivesse aquelas qualidades todas, poderia contar, com pormenores, uma linda história que um dia inventei, mas que, assim como vão ler, é apenas o resumo de uma história, que em duas palavras se diz... Que me seja desculpada a vaidade se eu até cheguei a pensar que a minha história seria a mais linda de todas as que se escreveram desde o tempo dos contos de fadas e princesas encantadas... Há quanto tempo isso vai!
Na história que eu quis escrever, mas não escrevi, havia uma aldeia. (Agora vão começar a aparecer algumas palavras difíceis, mas, quem não souber, deve ir ver no dicionário ou perguntar ao professor.)
Não se temam, porém, aqueles que fora das cidades não concebem histórias nem sequer infantis: o meu herói menino tem as suas aventuras aprazadas fora da sossegada terra onde vivem os pais, suponho que uma irmã, talvez um resto de avós, e uma parentela misturada de que não há notícia. Logo na primeira página, sai o menino pelos fundos do quintal, e, de árvore em árvore, como um pintassilgo, desce ao rio e depois por ele abaixo, naquela vagarosa brincadeira que o tempo alto, largo e profundo da infância a todos nós permitiu...
Em certa altura, chegou ao limite das terras até onde se aventurara sozinho. Dali para diante começava o planeta Marte, efeito literário de que ele não tem responsabilidade, mas com que a liberdade do autor acha poder hoje aconchegar a frase. Dali para diante, para o nosso menino, será só uma pergunta sem literatura: "Vou ou não vou?" E foi.
Imagina o restante da história? Poesia pura!!
Ótima sugestão de leitura! Boa viagem!

Sobre a arte de escrever para crianças

O genial José Saramago escreveu este poema/conto que fala do ofício de escritor voltado para o público infantil. O eu lírico reconhece a dificuldade e genialidade daqueles que o fazem com maestria. É uma pena que o meio Acadêmico ainda não pense assim. Passeando pelo meu facebook encontrei a sugestão deste vídeo por Rafael Parente. Obrigada!



Animação delicada. Amanhã farei um post com a capa do livro e o texto na íntegra. Simples e poético. Por hoje, bom filme!